O cantor e compositor Felipe Antunes apresenta o álbum Dança do Universo, novo trabalho que consolida sua trajetória autoral ao propor uma experiência sensorial sobre conexão, tempo e coletividade. Mais do que uma sequência de canções, o disco funciona como um percurso narrativo que investiga as relações humanas a partir do encontro entre corpo e cidade.
Em Dança do Universo, Felipe desloca o olhar de experiências íntimas para um campo mais amplo, em que trajetórias individuais passam a compor uma coreografia coletiva, construída a partir de afetos, deslocamentos e encontros cotidianos. Entre as faixas estão a canção-título, “Pode Apostar” e a faixa-foco “Quem Tem Vida”.
“‘Quem Tem Vida’ é sobre liberdade. Mas mais que liberdade, fala de oportunidade de vida, de viver, de deixar viver quem é de vida. Do limite da tolerância esbarrar no intolerante. De não culpar a morte, porque a culpa é de quem cria morte. É uma homenagem-protesto. Protesto pela vida. Homenagem à quem cuida da vida”, afirma Antunes.
A abertura com “Retalhos” apresenta a metáfora central da obra ao relacionar as fases da lua às oscilações emocionais e à vida nas grandes cidades. “Pode Apostar” transforma a ideia de fim em possibilidade de recomeço, enquanto a faixa-título propõe uma experiência contemplativa e quase cósmica sobre o indivíduo dentro de uma coreografia maior. Já “São” resgata o sentido coletivo em contraponto à individualização contemporânea.
A dimensão filosófica do álbum se aprofunda em “O Tempo Uma Espiral”, que propõe uma leitura não linear do tempo, em diálogo com a expressão “tempo espiralar”, popularizada pela pesquisadora Leda Maria Martins. “Todo Corpo Vivo”tensiona desigualdades estruturais e as ideias de sorte e destino.
Na parte final, as narrativas ganham contornos mais íntimos. “Eu Me Vingo da Tristeza” parte de um encontro com o poeta Oswaldo de Camargo para transformar sua obra em um samba que exalta a alegria como resistência. Já “Di Dia Ó Di Noti / De Dia, De Noite” conecta Brasil e Guiné-Bissau em uma canção de amor em que línguas e histórias se reencontram através da cultura e da poesia. Encerrando o percurso, “Mente” retoma os temas do tempo e da existência sob uma perspectiva introspectiva, abordando dúvidas, dores e processos de cura.